Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
Quem sou eu? Eula, prazer! Vivo em Faro, Portugal, sou apaixonada pela vida e por tudo que ela contém. Casada, mãe de um menino lindo e especial, professora que não exerce, mas que ama o ensino em si. Um pouco de mim, que escrevo aqui, junto com tudo o mais que interessa-me!
28/11/10
23/11/10
Dinamene
Camões outra vez. Um dos meus sonetos preferidos.
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida-
Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)
Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida-
Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)
Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
22/11/10
Alma minha gentil que te partiste
Essa tarde foi um bocado tranquila no trabalho.
Lembrei-me desse poema de Camões, e não me saiu da cabeça a tarde toda.
Quero partilhar aqui... Camões teve uma vida muito difícil, teve dois grandes amores, impossíveis. Esse poema ele escreveu para uma das mulheres que ele amou e que morreu, se bem lembro da história, num naufrágio.
É interessante ver que ele viveu e morreu na miséria e sem reconhecimento, e hoje é o maior nome da literatura portuguesa.
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alg~ua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Lembrei-me desse poema de Camões, e não me saiu da cabeça a tarde toda.
Quero partilhar aqui... Camões teve uma vida muito difícil, teve dois grandes amores, impossíveis. Esse poema ele escreveu para uma das mulheres que ele amou e que morreu, se bem lembro da história, num naufrágio.
É interessante ver que ele viveu e morreu na miséria e sem reconhecimento, e hoje é o maior nome da literatura portuguesa.
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alg~ua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
02/10/10
Procuro-te
Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
29/09/10
26/09/10
Hoje....
Aquilo que a gente tolera a gente não transforma.
Conversa saudável e instrutiva...
Com o Saulo, la do Brasil pra Portugal.
17/09/10
Aonde quer que eu vá
Olhos fechados
Prá te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá...
Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição
E aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá...
Longe daqui
Longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar
Volta prá mim
Vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar
Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição
E aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá...
Paralamas do Sucesso
04/09/10
Travessuras
"Eu insisto em cantar
Diferente do que ouvi
Seja como for recomeçar
Nada há, mais há de vir
Me disseram que sonhar
Era ingênuo, e daí?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe a que há de vir
Eu preciso é te provar
Que ainda sou o mesmo menino
Que não dorme a planejar travessuras
E fez do som da tua risada um hino"
Oswaldo Montenegro
(um dos "monstros sagrados" da música brasileira)
26/06/10
29
Já vou pros 29...
Nao estou a fugir ao meu destino. Estou a caminhar calmamente, na certeza de que tudo que é pra mim virá ao meu encontro, e as pessoas que serão pra mim estarão sempre a caminhar ao meu lado...
Bons tempos esses.
Nao estou a fugir ao meu destino. Estou a caminhar calmamente, na certeza de que tudo que é pra mim virá ao meu encontro, e as pessoas que serão pra mim estarão sempre a caminhar ao meu lado...
Bons tempos esses.
23/06/10
Frase do dia
«Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele»
La Fontaine
.
La Fontaine
.
22/06/10
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bane,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Paul away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
W.H. Auden, April 1936
Esse poema é lindo, lindo.... Vi-o no filme "Quatro casamentos e um funeral".
.
Prevent the dog from barking with a juicy bane,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Paul away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
W.H. Auden, April 1936
Esse poema é lindo, lindo.... Vi-o no filme "Quatro casamentos e um funeral".
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18/06/10
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
- Contraditório, genial. Morreu hoje, e vai fazer falta, de uma forma ou de outra.
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
- Contraditório, genial. Morreu hoje, e vai fazer falta, de uma forma ou de outra.
13/06/10
Soneto da despedida
Olhei em seus olhos e uma lágrima caía,
De meus lábios a frase não saía...
A despedida a solidão
lembranças de um sonho, saudades no coração.
O orgulho falou e nosso pranto enxugou,
Mas em minha mente você continuou.
Você vai por um caminho,
e eu... por outro vou.
Mas ao te deixar, comecei a pensar...
Em nosso mútuo amor,
(que com certeza), nunca irá acabar.
Depois disso ainda digo...:
“Por que não chorei? Por que o deixei?” Você diria:
“Por que fiquei quieto aquele dia?” Simplesmente não sabia...
De meus lábios a frase não saía...
A despedida a solidão
lembranças de um sonho, saudades no coração.
O orgulho falou e nosso pranto enxugou,
Mas em minha mente você continuou.
Você vai por um caminho,
e eu... por outro vou.
Mas ao te deixar, comecei a pensar...
Em nosso mútuo amor,
(que com certeza), nunca irá acabar.
Depois disso ainda digo...:
“Por que não chorei? Por que o deixei?” Você diria:
“Por que fiquei quieto aquele dia?” Simplesmente não sabia...
02/06/10
16/05/10
Será....
Será... Que não há uma maneira de juntar o que há de melhor na minha
vida em Portugal e no Brasil e ficar vivendo aqui em Itapema com tudo
junto?
Tou morrendo de saudade de muitas coisas lá de Portugal.
Ao mesmo tempo dói o coração de pensar que daqui poucos dias irei pra
casa.. Então, o que fazer?
Acho que é isso mesmo: ir pra casa. Meu lar é onde está a minha casa,
e a minha casa é Portugal. Deus me colocou lá, ainda não descobri porque.
Mas vou descobrir!
Na foto, uma das boas lembranças que vou levar, uma nova e preciosa amiga, cunhada Evelin e meu cunhado William.
04/05/10
Bom, bom, bom....
Estamos em Umuarama, o João já foi baptizado, fiz minha primeira radiografia panorâmica... lol
Muito bom poder rever meus lugares de sempre. Se bem que é tudo diferente, porque eu vejo com outros olhos. Rever as pessoas que conheço desde sempre. Tanto carinho, tanto calor humano... Só por isso já vale bem a pena.
Enfim, daqui uns dias terei de ir embora, mas não penso nisso agora. Só penso em curtir cada segundo...
Abraços!
Estamos em Umuarama, o João já foi baptizado, fiz minha primeira radiografia panorâmica... lol
Muito bom poder rever meus lugares de sempre. Se bem que é tudo diferente, porque eu vejo com outros olhos. Rever as pessoas que conheço desde sempre. Tanto carinho, tanto calor humano... Só por isso já vale bem a pena.
Enfim, daqui uns dias terei de ir embora, mas não penso nisso agora. Só penso em curtir cada segundo...
Abraços!
25/04/10
Hoje... dia de sol e calor... Dia de você, mas você não está...
Domingo, 25 de abril, 2010
Tenho montes de coisas pra fazer.
Não consigo fazer nada.
Disse que ia dormir.
Levantei-me ao fim de 15 minutos,
coração acelerado.
O que é que se passa???
Se alguém souber, diga...
"Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem".
(Onde ir, Vanessa da Mata)
Tenho montes de coisas pra fazer.
Não consigo fazer nada.
Disse que ia dormir.
Levantei-me ao fim de 15 minutos,
coração acelerado.
O que é que se passa???
Se alguém souber, diga...
"Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem".
(Onde ir, Vanessa da Mata)
23/04/10
Cada dia que passa
Ai este coração
Só por ti sabe esperar
Ai amor de perdição
Aqui na terra sem altar
Ai este coração
Que em cartas vem dizer
Vai e volta na tua mão
Vai e volta para te ter
Cada dia que passa fica a terra mais gasta
Cada dia que passa fica o amor mais forte
Ai este coração
Bate mais ao dar-te a mão
Vai e volta sem hesitar
Á cidade ao pé do mar
Invento mais um momento
Invento e estico o tempo
Aí este amor em mim
Aí ter-te sempre assim
Cada dia que passa fica a terra mais gasta
Cada dia que passa fica o amor mais forte
Cada dia que amanhece sem o teu abraço
Aí tenho sossego….
Cada dia que amanhece com o teu abraço
O céu fica mais perto de mim!
Cada dia que passa fica a terra mais gasta
Cada dia que passa fica o amor mais forte
Tambor
Faltam 4 dias
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